Trump intensifica pressão sobre Harvard: ameaça cortar mais US$ 3 bilhões e exige lista de estudantes internacionais

Trump intensifica ataques contra universidades de elite, como Harvard, por supostas atividades 'anti-americanas' e ameaça cortar ainda mais financiamento federal.
Redação Imediato Online
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (26) que está considerando cortar mais US$ 3 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões) em subvenções federais destinadas à Universidade de Harvard, com o objetivo de redirecionar esses fundos para centros de formação profissional no país. A medida, publicada em sua rede social, Truth Social, é mais um capítulo na escalada de tensões entre o governo Trump e a prestigiada instituição da Ivy League. O presidente acusou Harvard de ser “muito antissemita” e reiterou a exigência de que a universidade forneça uma lista de seus estudantes internacionais, sob a justificativa de identificar participantes de protestos pró-Palestina e outras atividades consideradas “sancionadas” pelo governo.

Uma campanha de retaliação contra o discurso de ódio em Harvard

Desde que assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2025, Trump tem intensificado ataques contra universidades de elite, como Harvard e Columbia, acusando-as de promoverem antissemitismo e ideologias “anti-americanas”. Nos últimos meses, o governo já cortou cerca de US$ 2 bilhões (R$ 11,3 bilhões) em subvenções federais para Harvard, ameaçou revogar suas isenções fiscais e, na última quinta-feira (22), anunciou a suspensão da emissão de vistos para novos estudantes estrangeiros da instituição. Além disso, alunos internacionais já matriculados foram orientados a se transferir para outras universidades ou enfrentar o risco de deportação.

A medida mais recente, no entanto, foi temporariamente suspensa por uma decisão judicial. Na sexta-feira (23), a juíza federal Allison Burroughs, em Boston, emitiu uma ordem de restrição temporária, bloqueando a revogação da certificação de Harvard no Student and Exchange Visitor Program (SEVP), que permite à universidade receber estudantes estrangeiros. A decisão veio após Harvard entrar com uma ação judicial, alegando que a medida do governo é uma “violação flagrante” da Primeira Emenda, da Cláusula de Devido Processo e da Lei de Procedimento Administrativo dos EUA, além de ser uma retaliação contra a independência acadêmica da instituição.

A exigência por listas de estudantes internacionais

O cerne do conflito está na recusa de Harvard em fornecer ao governo os dados de seus 6.793 estudantes internacionais, que representam 27,2% do total de matrículas no ano letivo de 2024-2025. O governo, por meio da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, exige informações detalhadas, incluindo registros disciplinares e evidências de atividades “ilegais” ou “violentas” de alunos estrangeiros, como protestos pró-Palestina. Noem acusou Harvard de “promover violência, antissemitismo e coordenar com o Partido Comunista Chinês”, sem apresentar evidências concretas.

Em uma postagem no Truth Social, Trump reforçou a pressão: “Ainda estamos esperando as listas de estudantes internacionais de Harvard para que possamos determinar, após um gasto desnecessário de bilhões de dólares, quantos lunáticos radicalizados, todos eles encrenqueiros, não deveriam ser admitidos de novo em nosso país.” Ele também criticou o fundo patrimonial de Harvard, avaliado em US$ 53,2 bilhões, sugerindo que a universidade deveria usar seus próprios recursos em vez de depender de fundos federais.

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