Manaus amanheceu de luto nesta terça-feira (27), com a notícia da morte do sambista e compositor amazonense Paulo Onça, aos 63 anos. O velório do artista acontece na quadra da Escola de Samba Vitória Régia, localizada na rua Emílio Moreira, esquina com a rua Japurá, no tradicional bairro Praça 14, Zona Sul da capital.
Familiares, amigos e admiradores comparecem desde a madrugada para prestar as últimas homenagens a um dos nomes mais importantes do samba no Amazonas. Entre os presentes, está a mãe do artista — visivelmente abalada — e a esposa, que esteve ao lado de Paulo durante os cinco meses de internação, após ele ter sido brutalmente agredido em um acidente de trânsito em dezembro do ano passado.
Coroas de flores têm chegado de diversas instituições, amigos e personalidades do meio artístico e empresarial, como o empresário Francisco Garcia, que compareceu pessoalmente ao velório. “Paulo não era da violência e morreu pela violência. Um homem respeitador, um pai exemplar. É uma perda que ninguém queria ter”, declarou emocionado.
Paulo Onça foi internado após ser agredido por Adailson Duque Fonseca, que, segundo imagens de câmera de segurança, desferiu diversos golpes contra o sambista após uma colisão de veículos na rua Major Gabriel, também na Zona Sul. O caso ocorreu pouco depois da meia-noite. O agressor se apresentou à polícia dias depois, após ter a prisão preventiva decretada. Ele segue preso e deve passar por audiência de instrução no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Natural de Manaus e filho da Praça 14, Paulo Onça começou sua trajetória musical aos 16 anos. Ganhou notoriedade no cenário local e nacional, sendo compositor de samba-enredo da escola Grande Rio e parceiro de artistas consagrados como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz e Neguinho da Beija-Flor. Em 1990, foi autor do samba campeão “Nem Verde Nem Rosa”, da Vitória Régia — canção que se tornou um verdadeiro hino do carnaval manauara. Já em 1998, ajudou a escola de samba Salgueiro a conquistar o sétimo lugar no Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo sobre Parintins.
Compositor de alma, Paulo Onça também assinou sambas que homenagearam figuras como Ivete Sangalo e deixou uma marca profunda na história cultural do estado. “Ele transformava a realidade do Amazonas em poesia e levava isso para o Brasil inteiro”, destacou Garcia.
Durante toda a manhã, centenas de pessoas passaram pela quadra da Vitória Régia, em clima de profunda comoção. A esposa e a mãe do sambista permanecem próximas ao caixão, recebendo o carinho de amigos, vizinhos e autoridades.
A despedida de Paulo Onça está marcada por homenagens emocionadas também nas redes sociais, onde internautas exigem justiça e lamentam a perda precoce. “Nosso velho Onça partiu. Que a justiça seja feita”, escreveu um seguidor. Outro afirmou: “Assassino frio, que apodreça na cadeia. Ele tirou de nós o maior nome do samba amazonense”.
A equipe do Imediato continua no local, acompanhando os desdobramentos desta despedida marcada por dor, lembranças e muita saudade.