Em uma demonstração de unidade, os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil rejeitaram, com 95,80% dos votos, a proposta de reajuste do vencimento básico apresentada pelo Ministério da Gestão e Inovação (MGI). A decisão foi tomada durante uma assembleia nacional realizada na segunda-feira (26), com ampla participação da categoria. A mobilização nacional, que inclui operação-padrão nas aduanas e a entrega de 464 cargos e funções em comissão, reflete a insatisfação com a falta de recomposição inflacionária dos salários, congelados desde 2016, exceto por ajustes pontuais.
Impactos da mobilização nas aduanas
A operação-padrão tem causado transtornos significativos, especialmente em operações aduaneiras. No Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, passageiros enfrentaram atrasos e complicações nos processos de embarque e desembarque devido às ações dos auditores. A estratégia, que consiste em fiscalizações mais rigorosas e demoradas, visa pressionar o governo por negociações mais vantajosas, mas impacta diretamente o fluxo de mercadorias e viajantes em portos, aeroportos e zonas de fronteira.
Demandas e posicionamento do Sindifisco Nacional
O Sindifisco Nacional, que representa os auditores, considera a proposta do MGI insuficiente para atender às necessidades da categoria. A principal reivindicação é a recomposição inflacionária do vencimento básico, que, segundo o sindicato, é um direito constitucional dos servidores públicos federais. “O governo precisa reconhecer a defasagem salarial acumulada desde 2016 e apresentar uma proposta que valorize o trabalho essencial dos auditores fiscais”, afirmou a direção do Sindifisco em comunicado oficial.
Apesar de manter canais de diálogo com o governo federal, o sindicato reforça que a mobilização continuará até que uma nova rodada de negociações traga avanços concretos. O programa Sindifisco Mobiliza, com encontros semanais, tem sido fundamental para manter a categoria unida e definir estratégias de pressão.