Rússia transformou Brasil em base de espiões revela The New York Times

Investigação revela como Rússia usou o Brasil como base para treinar e abrigar espiões de elite, desmantelados pela Polícia Federal.
Redação Imediato Online
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Uma investigação publicada pelo The New York Times em 21 de maio de 2025 revelou que a Rússia utilizou o Brasil como uma base estratégica para treinar e abrigar espiões de elite, conhecidos como “illegals”, com o objetivo de realizar operações clandestinas nos Estados Unidos, Europa, e Oriente Médio. A Polícia Federal (PF) brasileira, por meio da Operação Leste, desmantelou essa rede, identificando nove agentes russos com identidades falsas, dos quais dois foram presos. A operação contou com colaboração de inteligência dos EUA, Israel, Holanda, e Uruguai, abrangendo oito países.

O Caso de Artem Shmyrev

Um dos espiões destacados é Artem Shmyrev, que operava no Rio de Janeiro sob a identidade falsa de Gerhard Daniel Campos Wittich, um suposto brasileiro de 34 anos. Shmyrev possuía certidão de nascimento e passaporte brasileiros autênticos, obtidos por meio de brechas no sistema de registro do Brasil. Ele gerenciava uma empresa de impressão 3D, que atendia clientes como a Marinha do Brasil e o Ministério da Cultura, e vivia com uma namorada brasileira, sem levantar suspeita. Em mensagens de 2021 para sua esposa russa, Irina Shmyreva (também espiã, operando na Grécia sob o nome Maria Tsalla), Shmyrev expressou frustração: “Ninguém quer se sentir um perdedor. Por isso continuo trabalhando e com esperança.”

A “Fábrica de Espiões” no Brasil

A Rússia explorou o Brasil como uma “linha de montagem” para espiões devido a fatores como:

  • Multiculturalismo: A diversidade populacional facilita a integração de estrangeiros.
  • Passaporte brasileiro: Permite entrada sem visto em diversos países, ideal para missões internacionais.
  • Sistema de registro vulnerável: Uma exceção para nascimentos rurais permite emitir certidões com base em declarações e testemunhas, facilitando fraudes.

Além de Shmyrev, outros agentes russos criaram coberturas no Brasil, como uma joalheria, uma modelo, e um pesquisador que atuou na Noruega. Um casal frequentemente viajava a Portugal, reforçando suas identidades falsas. Esses espiões não visavam espionar o Brasil, mas construir personas sólidas para operações no exterior.

Operação Leste: A Resposta Brasileira

A Operação Leste, deflagrada pela PF, identificou os agentes russos ao detectar padrões em documentos falsos, como certidões de nascimento sem histórico de infância. O alerta inicial veio em abril de 2022, quando a CIA informou a PF sobre Sergey Cherkasov, que usava o nome Victor Muller Ferreira para tentar estagiar no Tribunal Penal Internacional em Haia. Cherkasov foi preso no Brasil por falsificação de documentos e condenado a cinco anos, permanecendo detido em Brasília. Outros espiões, como Shmyrev, fugiram antes da prisão, com Shmyrev deixando o Brasil para a Malásia em dezembro de 2022, abandonando dispositivos e US$ 12 mil (Web ID: 6, 22). A PF emitiu alertas a 196 países com nomes, fotos, e impressões digitais dos agentes, incluindo Shmyrev e Cherkasov.

Impacto Internacional

A investigação brasileira abalou a rede de espionagem russa, expondo vulnerabilidades em seu programa de “ilegais”, considerado o maior desde 2010. A colaboração com agências como a CIA, Mossad, e serviços holandeses revelaram espiões em países como Noruega (Mikhail Mikushin, como José Assis Giammaria) e Eslovênia (casal com identidades argentinas). A operação também destacou falhas no sistema brasileiro de emissão de documentos, levando a debates sobre reformas.

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