Um bebê de apenas quatro meses, identificado como Gael, morreu na última segunda-feira (19) após se engasgar com leite em uma creche clandestina no bairro Tatuquara, em Curitiba. A Polícia Civil do Paraná investiga o caso, que levanta suspeitas de negligência por parte dos responsáveis pelo local, onde cerca de 20 crianças eram cuidadas sem autorização oficial. A tragédia abalou a comunidade e gerou revolta, com moradores tentando incendiar o imóvel. O casal que administrava a creche foi preso em flagrante, acusado de homicídio culposo, mas a mulher foi liberada após pagamento de fiança de R$ 3 mil, enquanto o homem segue detido.
Um Relato de Dor e Busca por Respostas
A mãe de Gael, Isabela, relatou à imprensa a angústia de encontrar o filho sem vida ao retornar à creche. “Ele estava roxo, já sem vida. Não tinha acabado de morrer”, disse, emocionada, em entrevista à RICtv. Ela contesta a versão da cuidadora, Maria Eliza, que alegou que o bebê tinha uma condição preexistente de bronquiolite. Segundo Isabela, Gael havia sido internado semanas antes, mas já estava saudável após avaliação médica recente, sem sintomas que justificassem o ocorrido. “Eu fiz a inscrição dele com 30 dias de vida, mas não consegui vaga em creche pública. Ela [a cuidadora] foi recomendada, dizia cuidar de crianças há mais de dez anos”, desabafou.
A família, representada pelo advogado Igor José Ogar, aponta negligência e imprudência. Segundo relatos, a cuidadora não buscou ajuda médica imediata, apesar de ter um carro disponível, e tentou culpar a mãe pela tragédia. O advogado questiona a conduta da responsável, que descreveu o bebê com “boquinha roxa e imóvel” após a alimentação, mas alega ter seguido procedimentos corretos.
Creche Clandestina e Superlotação
A creche, localizada na Rua Odir Gomes da Rocha, funcionava sem qualquer autorização da Prefeitura de Curitiba ou órgãos fiscalizadores, como o Conselho Tutelar. No dia do incidente, o casal cuidava de cerca de 20 crianças, número muito superior à capacidade usual de cinco a seis, segundo os próprios suspeitos. O delegado Fabiano Oliveira, do 13º Distrito Policial, destacou a superlotação e a falta de preparo técnico para emergências como fatores agravantes. “Quando assumem esse serviço, passam a ter responsabilidade por tudo que acontece com as crianças”, afirmou.
A suspeita inicial é de broncoaspiração, causada por engasgo com leite, mas a causa exata da morte será confirmada por exames no Instituto Médico Legal (IML). A Polícia Civil segue investigando para esclarecer a dinâmica dos fatos, incluindo depoimentos de outros pais e análise de possíveis irregularidades no local.