Falsa médica ocupava cargo na CMM por indicação do PCdoB e partido nega

Falsa médica nomeada por indicação política em Manaus é investigada por crimes graves.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Manaus (AM) – Presa por se passar por médica especializada em cardiopatia pediátrica e por realizar atendimentos ilegais a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Sophia Livas de Morais Almeida está no centro de uma série de denúncias que envolvem não apenas a prática ilegal da medicina, mas também conexões políticas em órgãos públicos.

Levantamento feito no Portal da Transparência da Câmara Municipal de Manaus (CMM) confirma que Sophia foi nomeada em maio de 2022 como APC-1 (Assistente Parlamentar Comunitário de nível 1) no gabinete do vereador Jaildo Oliveira (PV), da base aliada do prefeito David Almeida (Avante). Ela permaneceu no cargo até dezembro do mesmo ano, com uma remuneração mensal média de R$ 2.090,00, totalizando R$ 16.717,00 em salários pagos pelo legislativo municipal.

A nomeação de Sophia teria ocorrido por indicação política. Apesar disso, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ao qual ela teria ligação como militante, nega qualquer indicação oficial e afirma que ela nunca se apresentou como médica enquanto esteve próxima ao grupo político.

Nas redes sociais, Sophia afirmava ser sobrinha do prefeito David Almeida, com quem chegou a postar fotos acompanhadas de legendas afetivas. A Prefeitura de Manaus, porém, divulgou nota de esclarecimento, negando qualquer grau de parentesco entre o prefeito e a investigada. Segundo a nota, “David Almeida não possui nenhum laço familiar com Sophia Livas”.

A prisão de Sophia ocorreu após investigações apontarem que ela atendia ilegalmente crianças autistas e se apresentava como médica especializada em cardiologia pediátrica, sem possuir formação na área. A Justiça manteve sua prisão preventiva após audiência de custódia, levando em conta a existência de outro mandado de prisão em aberto.

Sophia agora poderá responder por crimes graves como falsidade ideológica, uso de identidade falsa, curandeirismo, charlatanismo e estelionato contra pessoas vulneráveis. As autoridades seguem investigando se há outras vítimas ou envolvidos.

A Câmara Municipal de Manaus e o gabinete do vereador Jaildo Oliveira ainda não se manifestaram oficialmente sobre a contratação da falsa médica.

Fotos: Divulgação

Carregar Comentários