A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) que afastou Ednaldo Rodrigues da presidência da entidade em 15 de maio de 2025. O pedido foi encaminhado ao ministro Gilmar Mendes, que já atuou como relator em decisões anteriores que garantiram a permanência de Rodrigues no cargo. A crise envolve a denúncia de falsificação da assinatura de Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, em um acordo homologado pelo STF.
Decisão do TJ-RJ e Nomeação de Interventor
O desembargador Gabriel de Oliveira Zéfiro, da 19ª Câmara Cível do TJ-RJ, determinou o afastamento de Ednaldo Rodrigues e de toda a diretoria da CBF, declarando nulo o acordo de janeiro de 2025 que legitimou a eleição de 2022. A nulidade foi baseada em um laudo pericial que aponta a falsificação da assinatura de Coronel Nunes, ex-presidente da CBF, e questiona sua capacidade mental devido a um diagnóstico de câncer no cérebro desde 2018.
“Declaro nulo o acordo firmado, homologado pela Corte Superior, em razão da incapacidade mental e de possível falsificação da assinatura de Coronel Nunes” escreveu Zéfiro.
O vice-presidente Fernando Sarney, que também pediu o afastamento de Rodrigues, foi nomeado interventor e deve convocar novas eleições o mais rápido possível, conforme os prazos estatutários. Sarney afirmou que não interferirá em decisões como a contratação do técnico Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira, destacando seu papel transitório.
Contexto da Crise na CBF
A crise atual é parte de uma longa disputa judicial envolvendo a eleição de Ednaldo Rodrigues em 2022. Em 2017, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) questionou mudanças nas regras eleitorais da CBF, resultando em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em 2022, que permitiu a eleição de Rodrigues. Em dezembro de 2023, o TJ-RJ anulou o TAC, afastando Rodrigues, mas uma liminar do ministro Gilmar Mendes o reconduziu ao cargo em janeiro de 2024.
Em fevereiro de 2025, o STF homologou um acordo entre a CBF, cinco dirigentes (incluindo Coronel Nunes), e a Federação Mineira de Futebol (FMF), reconhecendo a legitimidade da eleição de 2022. No entanto, a deputada Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) e Fernando Sarney protocolaram pedidos ao STF alegando que a assinatura de Nunes era falsa, com base em um laudo da perita Jacqueline Tirotti. O laudo também sugere que Nunes não tinha condições cognitivas para assinar o documento.
Na semana passada, Gilmar Mendes negou o afastamento imediato de Rodrigues, mas determinou que o TJ-RJ investigasse a suposta falsificação, o que culminou na decisão de Zéfiro.
Repercussões e Próximos Passos
A CBF recebeu a notícia enquanto Ednaldo Rodrigues participava do congresso da FIFA em Assunção, Paraguai. A entidade reiterou seu compromisso com a transparência e afirmou que o acordo de 2025 foi conduzido legalmente, questionando a validade do laudo pericial.
O STF, sob relatoria de Gilmar Mendes, analisará o recurso da CBF. Um julgamento marcado para 28 de maio de 2025 na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7580 pode impactar a legitimidade do TAC e da gestão de Rodrigues. A FIFA monitora o caso, já que proíbe interferências estatais em federações, sob risco de sanções como a suspensão do Brasil em competições internacionais.
Impacto no Futebol Brasileiro
A incerteza na gestão da CBF ocorre em um momento delicado, com críticas à ausência de um técnico para a Seleção Brasileira após a demissão de Dorival Júnior em março de 2025. A contratação de Carlo Ancelotti, anunciada dias antes do afastamento, pode ser mantida, segundo Sarney, mas a instabilidade administrativa preocupa federações e torcedores.