Crianças com autismo seguem fora da escola por falta de mediadores no Viver Melhor, em Manaus

Crianças com autismo ficam sem aula por falta de mediadores escolares em Manaus.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Manaus (AM) – Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão impedidas de frequentar a Escola Municipal Professora Sílvia Helena Costa de Oliveira, localizada no conjunto Viver Melhor, bairro Santa Etelvina, zona norte de Manaus, por ausência de apoio escolar especializado, garantido por lei.

A situação foi denunciada por um grupo de mães que procurou a imprensa neste segunda-feira (05), para relatar a falta de mediadores escolares – profissionais fundamentais para o acompanhamento de alunos com necessidades educacionais específicas, como é o caso de crianças com autismo em níveis mais elevados de suporte.

Uma das mães, Laudeci, afirma que o filho está sem estudar desde o ano passado por não ter acesso ao apoio necessário. Segundo ela, o menino é classificado com autismo nível 3, o que exige acompanhamento individualizado. “Não é só o meu filho. Outras crianças também estão sem aula há anos por falta de mediador. Eu faço os laudos, entrego toda a documentação, e a resposta é sempre a mesma: ‘espere’”, declarou.

Laudeci também alerta que a ausência do filho na escola pode acarretar a perda de benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), já que a frequência escolar é um dos requisitos para a manutenção do auxílio.

A denúncia também foi reforçada por outra mãe que acompanhava o filho nas dependências da escola. A criança, visivelmente agitada, está há meses sem frequentar as aulas por não ter o suporte pedagógico necessário. “Desde o início do ano ele está sem mediador. Fica em casa, e isso prejudica ainda mais a adaptação dele. Ele precisa vir para a escola, mas precisa de acompanhamento”, relatou.

A escola municipal é citada pelas responsáveis como ciente da demanda, mas, segundo elas, informa apenas que o caso está “em processo” e que é preciso “aguardar”. Enquanto isso, as crianças seguem em casa, privadas do direito constitucional à educação inclusiva.

De acordo com os relatos, há documentação médica atualizada e recomendações formais para que os alunos recebam atendimento escolar exclusivo, conforme previsto na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e nas diretrizes da Política Nacional de Educação Especial.

As mães informaram ainda que já buscaram auxílio junto a vereadores, deputados e ao Ministério Público, mas, até o momento, não obtiveram retorno ou solução para o caso.

As famílias pedem uma resposta urgente das autoridades competentes, inclusive da Secretaria Municipal de Educação (Semed), para que os direitos dessas crianças sejam assegurados e para que possam, enfim, retornar à escola com o suporte que lhes é de direito.

Foto: Tarcísio Heden

Carregar Comentários