Um caso de extrema gravidade envolvendo violência sexual, aborto forçado e coação psicológica veio à tona em Manaus após o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) denunciar Alex Mendes Braga, de 39 anos. Ele é acusado de estuprar e forçar a interrupção da gravidez de Bruna Aguiar Holguim, de 30 anos, em um crime ocorrido no bairro Ponta Negra, em março de 2023.
Segundo o inquérito policial, o crime ocorreu na casa do denunciado, no Parque Residencial Itaporanga, enquanto sua então esposa estava na maternidade. A vítima, que trabalhava no local e é prima da ex-esposa de Alex, relatou que foi ameaçada com uma arma de fogo, empurrada e forçada a manter relação sexual sem consentimento.
A violência resultou em uma gravidez, confirmada dois meses depois. Ao ser informado, Alex teria coagido Bruna a ingerir medicamentos abortivos para evitar que a gestação revelasse o estupro e destruísse seu casamento. De acordo com a denúncia, além de ameaças, ele ofereceu dinheiro para que a vítima deixasse Manaus e mantivesse silêncio sobre o caso.
Bruna relatou que foi alvo de manipulação emocional, ameaças veladas e pressão contínua até ceder ao aborto, realizado sem seu pleno consentimento. Documentos anexados ao processo, incluindo laudo psicológico, exames médicos e registros de áudio, sustentam a acusação. A vítima desenvolveu transtorno de estresse pós-traumático após o ocorrido, sofrendo com insônia, ansiedade e sensação de perseguição.
O Ministério Público pede a condenação de Alex pelos crimes de estupro (art. 213 do Código Penal), aborto sem consentimento da gestante (art. 125) e violência psicológica contra a mulher (art. 147-B), além do pagamento de reparação por danos morais no valor de dez salários-mínimos.
A Justiça aguarda a manifestação da defesa do acusado e a realização de audiências com testemunhas, entre elas a própria vítima e sua mãe, que confirmou os sangramentos que Bruna sofreu após o aborto. O caso tem gerado grande repercussão e reforça o alerta sobre a violência de gênero no Amazonas.