O aumento da tarifa de ônibus em Manaus, que passou de R$ 4,50 para R$ 5 neste domingo (21), gerou indignação entre os usuários do transporte coletivo. A mudança, anunciada pela Prefeitura na última sexta-feira (19), ocorreu em meio ao feriado prolongado, o que impediu uma mobilização imediata da população. Nas redes sociais e nos terminais, a revolta foi geral.
“Dá uma raiva desses ladrões. Toda vez é isso, e o ônibus só piora”, reclamou a diarista Lucineide Souza, de 39 anos, que depende do transporte público diariamente para chegar ao trabalho no bairro Aleixo. Para ela, o reajuste não condiz com a qualidade do serviço prestado. “É ônibus velho, sem ar, quebra no meio da viagem. Só quem não anda de ônibus acha que tá tudo bem.”
A tarifa para o vale-transporte pago pelas empresas subiu ainda mais: passou de R$ 4,50 para R$ 6. Já os estudantes continuam pagando meia-passagem no valor de R$ 2,50, e o subsídio de R$ 1 será mantido pela Prefeitura. Mesmo assim, o impacto é sentido pela maioria da população que já convive com o alto custo de vida na capital.
“Eu ganho salário mínimo. Só de passagem vai quase um terço do meu dinheiro. Como é que o pobre vive?”, questionou o ajudante de pedreiro José Marcos, 27 anos, em um ponto de ônibus na avenida Torquato Tapajós. “Todo ano é a mesma desculpa, dizem que é pra melhorar, mas nunca melhora.”
Em grupos de WhatsApp e perfis no Instagram, as críticas também foram intensas. “A passagem aumentou e o ônibus continua sem ar-condicionado, atrasado, e lotado. Cadê a melhoria?”, escreveu uma internauta em publicação sobre o reajuste.
A Prefeitura de Manaus justificou o aumento como uma “necessidade para garantir o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte público”, apontando o alto custo dos combustíveis e a defasagem da tarifa anterior, que estava congelada desde 2022.
Para quem vive nos extremos da cidade e precisa fazer mais de uma integração, o reajuste impacta ainda mais. “Eu moro no Nova Cidade e trabalho no Distrito. São dois ônibus pra ir, dois pra voltar. Vou ter que escolher entre comer e ir trabalhar?”, desabafou a balconista Rafaela Lima, 33 anos.
A Câmara Municipal de Manaus não se pronunciou oficialmente sobre o reajuste até o fechamento desta edição.