Manaus (AM) – Mulheres se reuniram, na manhã desta quarta-feira (9), em frente ao Fórum Norte Reis, zona centro-sul de Manaus, em um ato de apoio à jovem Kaline, brutalmente agredida pelo companheiro após publicar um vídeo dançando nas redes sociais. Com cartazes e palavras de ordem, as manifestantes pediram justiça e denunciaram a violência que afeta milhares de brasileiras todos os dias.
Entre as frases escritas nos cartazes estavam: “Parem de nos silenciar”, “Justiça por Kaline”, “Em mulher não se bate” e “Não somos saco de pancada”. A manifestação foi organizada por amigas e colegas de trabalho da vítima, que atua como promotora de eventos e criadora de conteúdo digital.
Segundo relatos, a agressão ocorreu no último domingo (6), depois que Kaline publicou um vídeo dançando para divulgar um produto. O companheiro, motivado por ciúmes, teria a espancado com violência, deixando a jovem com o rosto desfigurado e ferimentos graves, incluindo a perda de dentes.
“Ela não está sozinha”
Eliane, uma das manifestantes, explicou que o ato foi organizado para que Kaline saiba que tem apoio. “O nosso movimento é para mostrar que ela não está sozinha. Mesmo quem não a conhece está aqui por ela. Isso que aconteceu com Kaline acontece todos os dias com muitas mulheres, e a gente quer justiça. Ele sabia que ela trabalhava com a imagem, e por isso bateu justamente no rosto dela”, afirmou.
Mayla, colega de Kaline que também aparecia no vídeo publicado antes da agressão, relatou o impacto ao ver a amiga ferida. “Eu entrei em desespero. Estive com ela o dia todo. Ela falava dele com muito carinho. Ver aquilo foi cruel. Ela o amava. Foi muito difícil ver o que ele fez com ela.”
Violência e julgamento
Sofia, também promotora de eventos, destacou o preconceito que mulheres enfrentam ao se expor nas redes sociais. “Hoje, muitas de nós divulgamos nosso trabalho com vídeos, com danças, com o corpo. E isso não dá a ninguém o direito de nos julgar ou nos agredir. Somos profissionais, temos direito de existir e trabalhar como qualquer pessoa.”
O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Amazonas. As manifestantes afirmaram que vão continuar mobilizadas até que a justiça seja feita.
Foto: Brenda Souza