TCE cobra explicações de David Almeida sobre viagem ao Caribe custeada por empresas com contratos públicos

Prefeito de Manaus é cobrado por tribunal por viagem ao Caribe supostamente custeada por empresas com contratos públicos.
Redação Imediato Online
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A polêmica viagem do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao Caribe durante o Carnaval segue rendendo desdobramentos legais e políticos. Após intensa repercussão nas redes sociais e protestos de parte da população que enfrentava enchentes e deslizamentos provocados pelas chuvas, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) emitiu decisão determinando que o prefeito preste esclarecimentos formais sobre os gastos da viagem e sua possível ligação com empresas contratadas pela Prefeitura.

A representação foi protocolada pelo vereador Ubirajara Rosses do Nascimento Junior (PL), conhecido como Coronel Rosses, que acusa o prefeito de ter se beneficiado de “serviços e bens de alto padrão”, incluindo hospedagem de luxo, deslocamento em jatinho particular e participação em eventos privados — todos supostamente pagos por fornecedores com contratos ativos com a administração municipal.

O relator do caso, conselheiro Érico Xavier Desterro e Silva, determinou que a Prefeitura de Manaus se manifeste no prazo de 5 dias úteis, apresentando documentos e comprovações sobre as despesas da viagem e os vínculos com as empresas MURB, GRAFISA, ROYAL TECH e RIO PIORINI.

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Apesar de ainda não haver decisão final sobre o mérito da representação, o TCE entendeu que há indícios suficientes para justificar a investigação e uma resposta formal da Prefeitura. A Corte optou por não conceder, neste momento, a suspensão imediata dos pagamentos às empresas citadas, mas ressaltou que poderá adotar medidas cautelares mais duras se as explicações não forem satisfatórias.

Revolta nas redes e nas ruas
Enquanto isso, a reação da população segue intensa. Nas redes sociais, internautas não pouparam críticas, questionando o comprometimento do prefeito com os problemas reais da cidade. A ausência de David Almeida em meio à crise climática gerou revolta popular. Em postagens no Instagram e Facebook, usuários chegaram a marcar jornalistas nacionais como Roberto Cabrini, pedindo que o caso fosse investigado nacionalmente.

Durante coletiva após seu retorno, David Almeida foi hostilizado por motoristas que gritavam frases como “vai para o Caribe” e “vai trabalhar, vagabundo”, revelando o desgaste da imagem do prefeito diante do eleitorado.

Câmara Municipal dividida

Na Câmara Municipal de Manaus, o clima também é de embate. Um requerimento apresentado por vereadores da oposição, que pedia explicações formais de David Almeida sobre a viagem, foi rejeitado por 24 dos 41 vereadores. A decisão dividiu a opinião pública e levantou suspeitas sobre um possível “acordão político” para blindar o prefeito.

A primeira-dama, Izabelle Fontenelle, também se envolveu na polêmica ao divulgar um vídeo nas redes sociais onde aparece se divertindo durante a viagem. Ela se defendeu afirmando que tem sido alvo de “ataques distorcidos e motivados por interesses políticos”.

E agora?

Com a determinação do TCE-AM, a Prefeitura de Manaus terá de apresentar em até cinco dias úteis toda a documentação que comprove a legalidade dos gastos e a ausência de favorecimento a empresas contratadas. Caso contrário, o Tribunal poderá determinar o bloqueio de contratos e penalizações administrativas.

A decisão foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-AM em 25 de março de 2025.

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