Um homem de 35 anos foi preso na última quarta-feira (26) acusado de uma série de crimes graves, incluindo estupro de vulnerável, produção e armazenamento de conteúdo pornográfico infantil, ameaça e perseguição. A prisão foi efetuada pela equipe da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), após investigações que revelaram anos de abusos contra uma adolescente, atualmente com 15 anos. Segundo a delegada Beatriz Andrade, adjunta da DEPCA, os crimes começaram quando a vítima tinha apenas 11 anos e se prolongaram de forma contínua até os 13, com episódios esporádicos até os 14 anos.
A vítima, acompanhada de sua mãe, procurou a unidade policial para registrar a ocorrência e relatar os abusos sofridos. As investigações apontaram que o suspeito, parente do padrasto da adolescente, aproveitou-se da proximidade com a família para cometer os crimes. Ele havia chegado do interior sem moradia e foi acolhido pela família, que cedeu um quarto em sua residência para que ele vivesse com a esposa e a filha. Nos momentos em que a mãe da vítima não estava presente, o homem praticava atos de violência sexual contra a adolescente dentro do próprio quarto cedido.
De acordo com os depoimentos da vítima, os abusos eram marcados por extrema violência, incluindo agressões físicas e psicológicas, além de ameaças de morte contra ela e seus familiares. Mesmo após deixar a casa da família e se estabelecer na vizinhança, o suspeito continuou a abordar a adolescente em vias públicas, coagindo-a a acompanhá-lo até áreas de mata, onde os estupros persistiram de maneira reiterada.
A adolescente, sob intensa pressão psicológica, chegou a fugir de casa. Ao ser encontrada pela mãe e questionada sobre o motivo da fuga, ela rompeu o silêncio e revelou os anos de abusos sofridos. A denúncia deu início às diligências policiais, que reuniram provas suficientes para embasar o pedido de prisão preventiva, deferido pelo Poder Judiciário e cumprido nesta semana.
Gravações e outras vítimas
Além dos estupros, a vítima relatou que o suspeito gravava os crimes e armazenava os vídeos. A investigação agora apura se esses materiais incluem outras vítimas, ampliando o escopo dos crimes. “Ainda estamos analisando essas informações. As investigações seguem em andamento para verificar se houve conivência ou omissão por parte de outras pessoas”, informou a delegada Beatriz Andrade. No interrogatório, o homem negou todas as acusações, mas os elementos probatórios coletados contrariam sua versão.
Um crime no seio familiar
O caso reforça um padrão alarmante: a maioria dos crimes contra crianças e adolescentes ocorre no âmbito familiar ou por pessoas de confiança. “Ele veio do interior, foi abrigado pela família, e se aproveitou dessa situação para abusar dessa menina por anos”, lamentou a delegada. A mãe da vítima, sem entender a fuga da filha, só tomou conhecimento dos abusos após o relato da adolescente, que, aos 14 anos, decidiu expor o sofrimento que enfrentava desde os 11.
A Polícia Civil destaca a importância de os responsáveis estarem atentos a sinais de mudança de comportamento nas crianças e adolescentes. “Uma criança comunicativa que se retrai pode estar tentando dizer algo. É essencial criar um ambiente de confiança para que elas se sintam seguras para falar”, orienta a delegada.
Próximos passos
O suspeito será apresentado à audiência de custódia nesta quinta-feira, 27 de fevereiro, às 11h, e permanece à disposição da Justiça. A equipe do Site Imediato acompanha o caso e trará atualizações, incluindo imagens da saída do acusado, se possível, e eventuais declarações à imprensa.
Casos como esse chocam e revoltam. Nos comentários do site, leitores expressam indignação e tristeza. “É estarrecedor ver mais uma criança perdendo a inocência nas mãos de alguém que deveria protegê-la”, escreveu Eliandra Barbosa. Já Emily dos Santos questionou: “Como a família não percebeu? Triste ver a própria família destruir a vida dessas crianças.”