Alta histórica do cacau pressiona preços de ovos de Páscoa em 2025 aponta Abia

Altas no preço do cacau devem pressionar custos dos ovos de Páscoa em 2025, segundo análise da Abia.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A escalada sem precedentes no preço do cacau, que registrou alta de 189% nos últimos 12 meses — com picos de 300% em alguns períodos —, deve impactar o custo dos ovos de Páscoa em 2025, segundo análise da Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (Abia). Apesar de a indústria prometer evitar aumentos “bruscos” acima da inflação, o consumidor precisará se preparar para reajustes, ainda que mitigados por investimentos em automação e inovação nos produtos.

De acordo com João Dornellas, presidente executivo da Abia, nem todo o aumento será repassado às gôndolas. “Cada empresa tem sua política, mas buscamos eficiência com tecnologia para absorver parte dos custos. Haverá impacto, porém não necessariamente linear”, explicou. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já aponta alta de 11,99% no preço do chocolate em 2024, reflexo direto da crise no cacau.

Crise global e desafios históricos
A disparada do cacau é atribuída a uma tempestade perfeita: crises climáticas e sanitárias na África (maior produtor mundial) reduziram a oferta global, enquanto o Brasil, outrora líder na década de 1980, ainda se recupera dos estragos causados pela praga da vassoura-da-bruxa, que devastou plantações na Bahia. Hoje sétimo maior produtor, o país vê no Pará uma esperança de retomada, mas esbarra no tempo de maturação do cacaueiro. “A planta leva quatro anos para produzir. Não é solução imediata”, destacou Gustavo Chiarini Bastos, do Conselho Diretor da Abia.

Além do cacau, outros insumos pressionam o setor: o café, por exemplo, subiu 140% no mesmo período, e o custo de produção de alimentos industrializados avançou 9,3%, ante inflação de 7,7% no segmento.

Estratégias da indústria: biscoitos nos recheios e investimentos
Para equilibrar os custos, as fabricantes apostam em ovos de Páscoa com ingredientes alternativos, como biscoitos incorporados aos recheios. “A diversificação ajuda a diluir o impacto do cacau”, afirmou Dornellas. Paralelamente, o setor alimentício avança em investimentos: dos R$ 120 bilhões prometidos ao governo federal entre 2023 e 2026, R$ 74,7 bilhões já foram aplicados, com foco em automação e expansão da capacidade produtiva. “Atingiremos a meta, mesmo com juros altos”, garantiu.

Governo sinaliza não-intervenção, mas setor cobra medidas
A Abia entregou ao Planalto sugestões para conter a inflação, como melhorias na infraestrutura de transporte e redução de tarifas para embalagens importadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, descartou intervenções diretas. “Medidas heterodoxas tendem a falhar no longo prazo”, justificou Dornellas, que defende diálogo contínuo.

O que esperar nas prateleiras?
Apesar do cenário desafiador, a expectativa é que os reajustes nos ovos de Páscoa acompanhem a variação acumulada pela indústria em 2024, sem surpresas acima da inflação. “O consumidor encontrará opções diversificadas, mas é crucial monitorar promoções”, aconselhou Bastos. Enquanto isso, o Pará surge como nova fronteira para o cacau brasileiro — uma aposta para os próximos anos, quando a colheita local ganhar escala.

Carregar Comentários