Moradores do São Francisco protestam contra taxa de esgoto abusiva em Manaus: ‘Pagamos por um serviço que não existe’

Moradores do bairro São Francisco em Manaus protestam contra aumento de 75% na tarifa de esgoto, alegando que o serviço não é prestado na região.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Texto: Brendo Cidade
Reportagem: Brenda Souza
Fotos: Eduardo Leão

Na manhã deste sábado, 22 de fevereiro de 2025, dezenas de moradores do bairro São Francisco, em Manaus, tomaram a Rua General Carneiro, em frente à Feira Municipal, para protestar contra o aumento de 75% na tarifa de esgoto cobrada pela concessionária Águas de Manaus. A manifestação, registrada ao vivo pelo site “Imediato” às 10h17, reuniu líderes comunitários e cidadãos indignados, que denunciam a cobrança de um serviço que, segundo eles, não é prestado na região. Cartazes com frases como “Diga não à tarifa abusiva” e “Unido jamais será vencido” foram exibidos enquanto a população cobrava respostas das autoridades.

A presidente da comunidade, dona Nega, foi uma das vozes à frente do movimento. “É uma taxa abusiva. Como querem cobrar 75% de esgoto de pessoas carentes, que não têm condições de pagar, se não existe rede de esgoto aqui?”, questionou. Ela destacou que a maioria dos esgotos no bairro está sem tampas e não funciona, apelando diretamente ao governador, prefeito, vereadores e deputados: “Venham lutar com o povo, porque quem elegeu vocês foi a população.”

O líder comunitário Humberto reforçou que a manifestação, realizada de forma pacífica, busca sensibilizar a Águas de Manaus. “Não somos contra a taxa de esgoto, mas ela só pode ser cobrada quando o serviço for prestado. Visitamos a estação de tratamento e vimos que está atrasada”, afirmou. Ele citou o caso de Valdomiro Silva de Sousa, morador da Rua Domingos Monteiro, cuja conta saltou de R$ 596 em janeiro para R$ 1.336 em fevereiro — um aumento de quase três vezes. “Já recorremos ao Ministério Público, mas ainda não tivemos resposta”, lamentou.

Entre os manifestantes, histórias de revolta se multiplicaram. Adalgisa, idosa do bairro, mostrou sua conta, que passou de “90 e pouco” em janeiro para um valor bem mais alto em fevereiro, apesar de seu consumo mínimo. “Moro sozinha, não tenho carro nem cachorro pra lavar, e a torneira fica mais fechada que aberta. Mesmo assim, a Águas de Manaus não aceitou minha carteira de idosa e disse que tenho que pagar”, relatou, admitindo arrependimento por ter votado no atual prefeito. Rossi Cleide, que paga R$ 884 apesar de viver perto de um igarapé sem saneamento, e Osana, que foi ao Procon sem sucesso, também expressaram indignação: “É um absurdo pagar por algo que não temos.”

Os moradores acusam a concessionária de agir às escondidas, ajustando contas a partir das 5h da manhã, enquanto a população dormia, para inserir a nova tarifa. Além disso, apontaram esgotos a céu aberto e buracos sem tampas nas ruas, que representam riscos como acidentes — um idoso caiu em um buraco no bairro Mutirão na véspera, exemplificando o perigo. “É um descaso. Não temos saneamento básico e ainda pagamos por isso”, disse dona Nega, enquanto a equipe do “Imediato” exibia imagens dos problemas.

A manifestação incluiu a coleta de assinaturas para um abaixo-assinado, que será encaminhado às autoridades. A comunidade exige que a Águas de Manaus reveja a cobrança e que o poder público intervenha. “Muitos estão desempregados, pedindo dinheiro emprestado pra pagar essas contas. Vamos trabalhar só pra isso?”, questionou um morador. Até o momento, a concessionária não se pronunciou sobre as denúncias.

A cobertura do protesto, conduzida pela repórter Brenda Souza com imagens de Eduardo Leão, foi acompanhada por internautas como Elias Correia e Roberto Neves, que criticaram a situação nos comentários da live. O “Imediato” segue aberto a denúncias pelo número (92) 99311-0060, prometendo continuar nas ruas para levar informação à população.

Nota da Águas de Manaus

A Águas de Manaus informa que o bairro São Francisco, possui estrutura para coleta e tratamento de esgoto. Todo esgoto coletado dos imóveis é levado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Educandos, onde é devolvido ao meio ambiente como água limpa.

Parte das tubulações de esgoto do bairro foi implantada anteriormente, em conjunto com obras do Prosamim. Em dezembro do ano passado, a concessionária realizou intervenções para ativar o sistema no trecho questionado pela reportagem. No mesmo período, a Águas de Manaus realizou visitas porta a porta e diversas reuniões comunitárias para informar aos moradores sobre essas ações, tirando dúvidas e atendendo solicitações da população sobre o serviço.

A Águas de Manaus segue à disposição dos moradores, por meio dos canais oficiais da companhia.

Carregar Comentários