As companhias aéreas Azul e Gol deram um passo importante rumo à consolidação do setor de aviação no Brasil. Nesta quarta-feira, 15 de janeiro, as duas empresas assinaram um memorando de entendimentos (MoU) não vinculante com o objetivo de explorar uma possível fusão, criando um novo grupo com mais de 60% de participação no mercado aéreo brasileiro.
De acordo com a Gol, o acordo marca o início de um processo de negociação entre a holding Abra Group, controladora da Gol, e a Azul. A transação, no entanto, está sujeita à recuperação judicial da Gol nos Estados Unidos, onde a companhia aérea está buscando renegociar dívidas no contexto do processo de Chapter 11. A Gol destacou que o MoU não tem impacto imediato em suas operações ou na estratégia da empresa, que segue focada em concluir sua reestruturação e emergir do processo de recuperação como uma companhia independente e capitalizada.
Caso a fusão seja concretizada, as duas empresas continuarão a operar com suas marcas e certificações independentes. No entanto, será possível a troca de aeronaves entre as companhias, o que deve ampliar a conectividade entre grandes centros urbanos e destinos mais remotos, melhorando a oferta de voos para os consumidores. A Azul, por sua vez, continuará a expandir sua frota com aeronaves da Embraer, focando em novos voos internacionais.
A governança do novo grupo será compartilhada. John Rodgerson, CEO da Azul, assumirá a presidência do novo conglomerado, com o presidente do conselho sendo indicado pela Abra Group, holding controladora da Gol e da Avianca. O conselho será composto por nove membros, com três indicados pela Azul, três pela Gol e três independentes, que serão escolhidos pelos acionistas.
Além disso, o memorando de entendimentos prevê que a alavancagem combinada das duas empresas não poderá ultrapassar o nível da dívida da Gol após a conclusão de sua recuperação, atualmente estimada em quatro vezes o EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Caso essa condição não seja cumprida, a fusão não será concretizada.
A previsão é que a fusão, se aprovada pelos órgãos reguladores – como o Cade e a Anac –, seja finalizada em 2026. Nesse cenário, o novo grupo se posicionará como líder do mercado aéreo brasileiro, ampliando sua competitividade no setor.
A fusão entre Azul e Gol promete remodelar o mercado de aviação brasileiro, com a criação de um novo grupo forte, com grande participação no setor e foco na expansão e inovação de seus serviços. No entanto, a concretização da transação depende da aprovação de diversos fatores, como a conclusão da recuperação judicial da Gol e a análise de reguladores como a Anac e o Cade.
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