A atriz australiana Cate Blanchett, embaixadora da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), esteve no Brasil nesta semana para uma missão humanitária focada nos efeitos das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2024. Durante sua visita, que se estendeu de 16 a 18 de dezembro, Blanchett percorreu cidades como Porto Alegre, Taquari e Cruzeiro do Sul, testemunhando de perto os impactos duradouros dessas catástrofes naturais.
Em Porto Alegre, a atriz visitou o bairro Sarandi, uma das áreas mais impactadas pelas cheias de maio. Lá, ela encontrou Johanna, uma mãe-solo refugiada da Venezuela, cuja história de resiliência e sofrimento tocou Blanchett profundamente.
“Todos os refugiados que conheci no Brasil experimentaram o duplo, às vezes, triplo, horror de serem forçados a se deslocar, não uma ou duas, mas três vezes – cada vez perdendo tudo que tinham e tendo de reconstruir suas vidas do zero. Cada vez com mais frequência, esse deslocamento é causado por eventos climáticos extremos”, declarou Cate durante sua visita.
Johanna, que perdeu emprego e lar nas enchentes, compartilhou com Blanchett o trauma de seus filhos, que ainda se assustam com a chuva. “Ela me disse: ‘Meus filhos ainda estão muito traumatizados. Quando choveu ontem, eles se esconderam embaixo da mesa da cozinha. Preciso estar preparada para quando houver outra enchente. Preciso reconstruir com tijolos desta vez’”, relatou a atriz, evidenciando a necessidade urgente de resiliência e reconstrução.
Blanchett também se reuniu com o governador Eduardo Leite (PSDB), que elogiou a empatia da atriz. “Tive o privilégio de conversar longamente com ela em um jantar no Palácio Piratini e testemunhar uma simpatia surpreendente. Foi marcante e encantadora a presença dela”, postou Leite em suas redes sociais, reconhecendo o impacto da visita de Blanchett na conscientização sobre a situação no estado.
A visita da atriz ocorre em um contexto onde a Defesa Civil do Rio Grande do Sul reporta que 472 dos 497 municípios foram afetados pelas enchentes, impactando mais de 2,3 milhões de pessoas. A missão de Blanchett com a Acnur não apenas destaca as necessidades imediatas de ajuda humanitária mas também chama a atenção para a urgência de políticas globais de adaptação às mudanças climáticas e ao aumento de eventos extremos.