Hatus Moraes Silveira, personal trainer e coach, foi condenado a 11 anos, 10 meses e 8 dias de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico, no âmbito do caso envolvendo a seita “Pai, Mãe, Vida”. A decisão foi proferida nesta terça-feira (17), pelo juiz Celso de Paulo, da 3ª Vara de Delitos de Tráfico de Drogas da Comarca de Manaus. A condenação, que inclui o perdimento de bens, como veículos e celulares, está ligada ao uso indiscriminado de ketamina, medicamento veterinário utilizado como droga sintética.
A prisão de Hatus Silveira remonta a 7 de junho de 2024, quando ele foi detido pela polícia no 1º Distrito de Polícia (DIP). Na ocasião, outros funcionários da clínica onde trabalhava também estavam sob investigação por facilitarem a aquisição de medicamentos veterinários, como a cetamina, que exigiam prescrição médica. Apesar de familiares de alguns envolvidos afirmarem que nada sabiam sobre o caso, a polícia apreendeu medicamentos e caixas de remédios, dando início a uma investigação para apurar as responsabilidades no crime.
Além de Hatus, foram condenados Cleusimar de Jesus Cardoso e Ademar Farias Cardoso Neto (mãe e irmão de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido), bem como Verônica da Costa Seixas (ex-gerente do salão de beleza da família), José Máximo Silva de Oliveira (médico veterinário), Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima (ex-noivo de Djidja). Esses acusados também receberam a mesma pena por envolvimento com o tráfico de drogas. Verônica e Bruno, no entanto, poderão recorrer da sentença em liberdade.
O juiz também determinou o desmembramento dos crimes de estupro e aborto para que a investigação continue em uma vara criminal comum. Nesse processo, será essencial a juntada de laudos e a inquirição de testemunhas para confirmar o nexo de causalidade entre os acusados e os mencionados delitos.
A defesa, representada pelos advogados Mozarth Bessa e Rosana Assis, anunciou que recorrerá da decisão por meio de recurso de apelação e que ingressará com embargos de declaração, alegando que não houve oportunidade para manifestação da defesa sobre os laudos apresentados.
O caso continua a gerar desdobramentos e aguarda novos acontecimentos nos próximos meses, com as investigações ainda em andamento.