Beatriz Rodrigues Matos, de 29 anos, e Clayton Augusto Souza do Carmo, de 34, foram sentenciados por crimes de maus-tratos contra o menino Davi Lucas, ocorridos em 2022, na capital do Amazonas. Beatriz, madrasta da vítima, e Clayton, pai biológico, enfrentaram quase 30 horas de julgamento, realizado no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), e tiveram as sentenças divulgadas na noite de quarta-feira (11).
Somadas, as penas do casal ultrapassaram 76 anos de prisão: Beatriz foi condenada a 62 anos, enquanto Clayton recebeu 14 anos. Ambos foram responsabilizados por tentativa de homicídio e tortura contra Davi, que hoje tem seis anos e vive sob cuidados médicos. O caso envolveu episódios de violência extrema, como o momento em que uma tampa de pasta de dente obstruiu as vias respiratórias do menino, enquanto ele estava sob os cuidados da madrasta.
Os réus, que já estavam em prisão preventiva desde abril de 2024, compareceram ao julgamento realizado pela 3ª Vara do Tribunal do Júri. Após o veredicto, o juiz determinou que ambos cumpram as penas em regime fechado.
“Justiça foi feita”, diz mãe da criança
Nas redes sociais, Fábila Moraes, mãe de Davi, comemorou a condenação e demonstrou gratidão pela decisão:
“A justiça foi feita por Davi e Moisés. Agradeço a todos que estiveram comigo desde o início deste caso. Toda honra e glória a Deus!”
Relembre o caso
As denúncias começaram em maio de 2022, quando a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) recebeu um Boletim de Ocorrência relatando maus-tratos sofridos por Davi Lucas após passar um fim de semana na casa do pai.
Em junho daquele ano, o menino voltou à casa de Clayton e engoliu uma moeda, que causou complicações graves. Apesar de o pai tê-lo levado ao hospital, ele não informou à mãe sobre o ocorrido. Dias depois, Davi sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi encontrado desacordado. Na ocasião, a madrasta alegou que ele havia caído e precisou retirar uma tampa de pasta de dente de suas vias respiratórias. Exames indicaram hematomas espalhados pelo corpo da criança.
Além disso, o irmão mais velho de Davi relatou à polícia que presenciou agressões físicas frequentes cometidas pela madrasta contra ele e o caçula. Com as evidências reunidas, a Justiça decretou a prisão preventiva de Beatriz e Clayton em setembro de 2023. Em abril de 2024, o casal foi localizado e preso durante a Operação Acalento, no município de Iranduba.
Foto: Raphael Alves/Tjam