Neste domingo (8), um fato histórico e inesperado marcou a política síria: insurgentes assumiram o controle da televisão estatal síria, anunciando a libertação de Damasco e a queda do regime autoritário de Bashar al-Assad, que durou mais de meio século. Em uma transmissão ao vivo, um porta-voz não identificado declarou que Assad foi derrotado “com a graça de Deus”, convidando os cidadãos sírios a proteger os ativos agora libertados do país.
Abu Mohamed al-Jolani, líder da coalizão insurgente, que inclui a Organização para a Libertação do Levante (HTS), antiga ramificação da Al-Qaeda, celebrou o que considera uma vitória divina. Em seu comunicado, Jolani instou os sírios a “orar a Deus para agradecer pela vitória que nos deu através dos seus braços”, sinalizando um tom religioso para a conquista.
A ofensiva, que começou em 27 de novembro, avançou rapidamente pelo país, capturando cidades estratégicas como Aleppo, Hama e Homs, antes de chegar à capital, Damasco. Este movimento foi marcado por uma coordenação entre diferentes grupos rebeldes, muitos dos quais receberam apoio da Turquia, um ponto crucial na dinâmica geopolítica da região.
A queda de Assad representa não só o fim de uma era de governo autoritário, mas também o início de um período de incerteza e desafios para a Síria. A transição de poder, a reconstrução de um país devastado por mais de uma década de guerra civil e a formação de um novo governo são apenas alguns dos obstáculos à frente. A cooperação entre diferentes facções rebeldes e a inclusão de todos os segmentos da sociedade síria serão essenciais para evitar um vácuo de poder ou um retorno à violência.
O primeiro-ministro sírio, Mohammad Ghazi al-Jalali, reconhecendo a mudança de cenário, estendeu a mão para colaboração com “todos os sírios que estão interessados neste país para preservar suas instituições”, indicando uma possível abertura para um governo de unidade nacional ou transição pacífica.
Este momento histórico na Síria levanta questões sobre o futuro da política regional, a influência de potências externas como a Turquia, Rússia e Irã, e a possibilidade de uma nova ordem no Oriente Médio. A comunidade internacional observou atentamente esses desenvolvimentos, com declarações de apoio à transição vindas de líderes como Joe Biden, Donald Trump, e ministros de relações exteriores de outras nações, cada um com suas próprias agendas e preocupações sobre o que a queda de Assad pode significar para a estabilidade regional.
A Síria, uma terra de civilizações antigas, agora entra em uma nova fase de sua história, onde a esperança de paz e reconstrução compete com a realidade das complexidades políticas e sociais que emergem do fim de um longo regime repressivo.