Neste domingo (28), os venezuelanos irão às urnas para escolher o próximo presidente do país. Nicolás Maduro, que busca seu terceiro mandato, enfrenta a concorrência de Edmundo González, o principal opositor nas pesquisas de opinião. No entanto, a eleição é envolta em desconfiança da comunidade internacional, que teme possíveis manipulações no processo eleitoral.
O sistema de votação da Venezuela utiliza urnas eletrônicas semelhantes às do Brasil, mas com algumas diferenças significativas:
- Chegada e Identificação:
- O eleitor apresenta sua carteira de identidade.
- O número do documento é inserido em uma máquina, e uma autenticação biométrica é realizada por meio da digital.
- Seleção e Confirmação de Voto:
- Após a autenticação, o eleitor seleciona a foto do candidato desejado.
- As fotos dos candidatos são exibidas várias vezes, de acordo com o apoio partidário. Por exemplo, Nicolás Maduro pode aparecer 13 vezes, enquanto Edmundo González aparece três vezes.
- Após selecionar o candidato, a urna imprime um comprovante de papel da votação.
- Depósito do Comprovante:
- O comprovante impresso é dobrado e colocado em uma urna separada.
- Auditoria:
- O governo afirma que mais da metade das urnas passa por auditoria. Os fiscais verificam os votos eletrônicos contra os comprovantes de papel após o encerramento da votação.
Os locais de votação estarão abertos das 6h às 18h, horário local (7h – 19h em Brasília). Embora o voto não seja obrigatório, mais de 20 milhões de pessoas estão registradas, com cerca de 4 milhões de eleitores vivendo fora do país.
A comunidade internacional expressou preocupações sobre a transparência do processo eleitoral na Venezuela. Recentemente, as autoridades eleitorais venezuelanas desconvocaram observadores internacionais, aumentando o receio de interferência no processo.
O histórico eleitoral do país também levanta dúvidas. Em dezembro de 2023, um referendo convocado por Maduro sobre o território de Essequibo, reivindicado pela Venezuela, foi marcado por acusações de baixa participação e falta de transparência na divulgação dos resultados.
Além disso, em 2017, as eleições para a Assembleia Constituinte, que resultaram na formação de um órgão chavista que usurpou o poder do Parlamento opositor, foram criticadas pela Smartmatic, empresa responsável pela tecnologia das urnas. A empresa alegou que o número oficial de eleitores tinha sido manipulado.
Nicolás Maduro, que já enfrentou críticas e sanções internacionais durante seus mandatos anteriores, declarou que uma eventual derrota poderia levar a “banho de sangue” e “guerra civil”. Esse cenário potencializa as preocupações sobre a aceitação dos resultados e a estabilidade política do país.
À medida que o pleito se aproxima, a atenção global se volta para a transparência e a integridade das eleições na Venezuela, enquanto o país enfrenta uma encruzilhada política crítica.