Salvador, 26 de julho de 2024 – O capitão da Polícia Militar da Bahia (PMBA) Fabrício Carlos Santiago dos Santos, conhecido como líder de uma organização criminosa, foi preso preventivamente na quarta-feira (24), durante a Operação Sordidae Manus. A operação revelou um esquema sofisticado de corrupção envolvendo o militar, que usava um código peculiar para solicitar propina.
Em vez de usar termos convencionais como “dinheiro” ou “grana”, o capitão optava por pedir um “Toddy”, nome que fazia referência à famosa bebida achocolatada. A peculiaridade no vocabulário foi uma das descobertas surpreendentes durante a investigação. Os investigadores ouviram o oficial usar o termo diversas vezes em suas comunicações.
De acordo com as investigações, a organização criminosa chefiada pelo capitão atuava em Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e outros municípios baianos. O grupo era especializado em vazar informações sobre operações policiais e sabotar ações das forças de segurança.

Além da prisão do capitão, a Operação Sordidae Manus também resultou na exoneração do oficial do comando da 4ª Companhia de Polícia Militar de Santa Cruz Cabrália. A companheira de Fabrício, Fabiane Evangelista dos Santos, também foi presa preventivamente. Fabiane desempenhava um papel crucial na logística da organização criminosa, coordenando a arrecadação de propinas e gerenciando o esquema criminoso.
Segundo o Ministério Público da Bahia (MPBA), Fabiane controlava o balanço financeiro obtido com as propinas pagas por empresários, políticos e outros “clientes”. Ela era responsável por garantir a segurança dos locais envolvidos, utilizando a influência policial, e cuidava da cobrança após os clientes serem alertados sobre operações da Polícia Militar. Fabiane também fornecia informações sobre a localização de blitzes e operações.
Os investigadores relataram que o capitão Fabrício recebia valores indevidos de comerciantes, políticos e pessoas envolvidas em disputas de terras. Em troca do pagamento, o oficial retardava ou omitira sua função de policial, inclusive informando os comerciantes sobre operações policiais para evitar abordagens e possíveis apreensões.
A Operação Sordidae Manus evidencia a gravidade da corrupção dentro das forças de segurança e a necessidade de medidas rigorosas para combater práticas ilícitas que comprometem a integridade e a eficácia das instituições policiais.