O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) anunciou medidas rigorosas após a confirmação de um caso de doença de Newcastle em um estabelecimento comercial no Rio Grande do Sul. A decisão inclui um autoembargo que suspende temporariamente as exportações de carne de frango, ovos e demais produtos avícolas, conforme os requisitos sanitários acordados com os países importadores afetados.
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado da Safras & Mercado, o foco da doença gerou preocupação significativa no mercado, mas a rigorosa aplicação dos protocolos sanitários está ajudando a mitigar os impactos e a garantir mais segurança para os mercados envolvidos.
“A situação no mercado está bastante tumultuada, especialmente no Rio Grande do Sul. Outros estados podem compensar a perda no fluxo de exportação causada pelo Rio Grande do Sul, mas isso certamente trará transtornos e consequências para o mercado gaúcho, que agora enfrenta um desequilíbrio econômico. Haverá perdas de receita, arrecadação e volume de produtos exportados. O cenário é extremamente desafiador e complicado”, explicou Iglesias.
As restrições impostas pelo MAPA estão alinhadas com as diretrizes dos Certificados Sanitários Internacionais (CSI) e seguem as orientações específicas de cada país importador afetado. No contexto nacional, as exportações de carne de frango brasileira foram temporariamente bloqueadas para Argentina e União Europeia.
Para o Rio Grande do Sul, as restrições afetam um número mais amplo de países, incluindo África do Sul, Arábia Saudita, China, Índia, México, Peru, entre outros, conforme listado pelo MAPA.
“Foi registrado um foco em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul, após as enchentes que ocorreram no estado em maio, o que criou vulnerabilidades sanitárias. No entanto, é importante destacar que o Brasil continua sendo uma referência global em biosseguridade, e o protocolo sanitário está sendo rigidamente seguido”, acrescentou Iglesias.
Apesar dos desafios enfrentados, o analista reconhece a rapidez e transparência com que o governo e instituições têm agido desde a identificação do caso, o que contribui para trazer algum equilíbrio aos mercados. Nesta sexta-feira (19), o MAPA publicou uma Portaria declarando estado de emergência zoossanitária no Estado do Rio Grande do Sul, válido por 90 dias, visando controlar e prevenir a disseminação da doença.
Fonte: Notícias agrícolas