Câmara aprova projeto que pode gerar desemprego na Zona Franca de Manaus

Projeto de reforma tributária aprovado pode gerar impactos na Zona Franca de Manaus, com riscos de desemprego.
Redação Imediato Online
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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) o texto-base do primeiro projeto que regulamenta a reforma tributária no Brasil. Com uma votação expressiva de 336 votos a favor e 142 contrários, os deputados agora estão discutindo os destaques, que são propostas de alteração no texto.

Um dos pontos mais debatidos nesta fase é a tributação sobre a carne bovina e o frango, especialmente após um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para isentar esses produtos. O projeto original, no entanto, prevê uma tributação reduzida, mas não nula, contrariando a posição de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados.

Este primeiro projeto tem como objetivo estabelecer as diretrizes para a cobrança de três novos impostos sobre o consumo (IBS, CBS e Imposto Seletivo), que substituirão cinco tributos atualmente em vigor (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS). A reforma tributária já foi aprovada e promulgada pelo Congresso em 2023, mas ainda faltava detalhar as regras específicas para a implementação dos novos impostos.

  • O governo sustenta que a carga de impostos não vai aumentar na reforma tributária. A explicação é:
  • Haverá uma alíquota única para os impostos sobre consumo, de cerca de 26,5%.
  • Com isso, alguns produtos pagarão menos que hoje, e outros pagarão mais. O somatório será o mesmo, para não aumentar nem diminuir a carga tributária.
  • Mas o essencial, segundo o governo, é que os impostos não serão mais cumulativos, como são hoje.
  • Isso significa que o pagamento de tributo vai incidir apenas uma vez na cadeia de produção e venda de um item.

Sem a cumulatividade (sem o pagamento de tributo sobre tributo), custos baixam, a eficiência produtiva aumenta, e os produtos podem até baixar de preço, argumenta o governo.

A proposta lista alimentos da chamada cesta básica nacional, que terão alíquota zero dos novos tributos. São eles:

  • Arroz
  • Leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, leite em pó, integral, semidesnatado ou desnatado; e fórmulas infantis definidas por previsão legal específica
  • Manteiga
  • Margarina
  • Feijões
  • Raízes e tubérculos
  • Cocos
  • Café
  • Óleo de soja
  • Farinha de mandioca
  • Farinha, grumos e sêmolas, de milho, e grãos esmagados ou em flocos, de milho
  • Farinha de trigo
  • Aveia
  • Açúcar
  • Massas alimentícias
  • Pão do tipo comum (contendo apenas farinha de cereais, fermento biológico, água e sal)
  • Ovos
  • Produtos hortícolas, com exceção de cogumelos e trufas
  • Frutas frescas ou refrigeradas e frutas congeladas sem adição de açúcar

Há ainda uma lista de produtos que terão desconto de 60% sobre a alíquota dos futuros impostos.

Um dos pontos de destaque no projeto é a criação do mecanismo de “cashback”, onde parte dos impostos pagos será devolvida aos consumidores inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. A proposta prevê a devolução integral dos tributos pagos na CBS (IVA federal) e 20% no caso do IBS (IVA estadual e municipal) para produtos como energia elétrica, água, esgoto e gás natural.

Além disso, medicamentos registrados na Anvisa e produtos de higiene pessoal e limpeza terão alíquotas reduzidas, enquanto itens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente serão tributados com uma alíquota maior, conhecida como Imposto Seletivo.

Outras mudanças incluídas no projeto beneficiam também o setor veterinário, com uma redução de 60% na alíquota para medicamentos, vacinas e soros de uso veterinário, além de planos de saúde para pets.

O texto do projeto de regulamentação da reforma tributária ainda está em discussão, com ajustes sendo feitos para equilibrar interesses e garantir a implementação gradual e eficaz do novo sistema até 2033, quando está prevista sua entrada em vigor completa.

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