PAÍS | O entregador João Eduardo Silva de Jesus foi impedido de subir pelo mesmo elevador que a moradora de um condomínio em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, identificada apenas como Cláudia. A mulher segurou a porta e mandou o entregador sair.
A situação foi registrada pelo entregador através da câmera do seu celular. Nas imagens, a mulher insiste para ele não pegar o elevador com a entrega, obstruindo a entrada e argumentando que João teria que pegar o elevador “de serviço”.
“Você não vai subir aqui não”, diz a moradora. “Por que não vou subir?, questiona o entregador. “Pela sua ousadia”, responde a mulher. “Me diz onde está a ousadia”, replica. “[Falou] que não existe elevador de serviço”.
Ciente da lei que protege a situação, o rapaz tenta esclarecer que uma lei informa que não existe mais elevador de serviço. “Isso é uma lei agora. A senhora não sabe? Se a senhora não sabe, está sabendo agora. E eu vou subir sim”, argumentou João.
“Eu sou condômina. Eu pago condomínio. Você paga?”, disse a moradora. “Tu paga condomínio… Qual diferença tem se tu é condômina ou não? Tu é melhor que eu?”, respondeu João.
A lei municipal 3.629/2003 impede qualquer tipo de discriminação no uso dos elevadores na cidade do Rio de Janeiro. O artigo 11 da lei do racismo prevê prisão de 1 a 3 anos para quem impedir o acesso às entradas sociais de edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escadas de acesso.
Enquanto a mulher questiona a presença do entregador no elevador social, outros moradores tentam ajudar e apoiam o rapaz. De acordo com testemunhas, a mulher chegou a gritar e xingar o rapaz.
Um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia pelo trabalhador por injúria e preconceito.
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Foto: Reprodução