PAÍS | A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou um agente socioeducativo lotado na Unidade de Internação de São Sebastião acusado de gravar vídeos íntimos das servidoras que utilizavam o banheiro feminino para tomar banho e usar o vaso sanitário. Rafael Oswaldo de Carvalho Arantes (foto em destaque) instalou uma câmera escondida no local e armazenou centenas de vídeos e fotos das vítimas. As informações são do site Metrópoles.
De acordo com a polícia, equipes da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do funcionário público, na terça-feira (8). Foram apreendidos uma arma de fogo, munições e aparelhos eletrônicos, como HDs externos, onde vídeos podem ter sido armazenados. O material será encaminhado para perícia técnica.
Segundo os investigadores, embora existam elementos probatórios suficientes da autoria dos fatos, as apurações continuam. É possível, de acordo com a PCDF, que surjam outras vítimas a partir do material eletrônico apreendido.
Ato criminoso
Em nota, a pasta informou ter tomado conhecimento do caso reportado pela servidora por intermédio da Direção da Unidade de Internação de São Sebastião. A ocorrência foi imediatamente comunicada às autoridades competentes.
Internamente, a Sejus informou que faz uma vistoria minuciosa em todas as unidades de internação e pontou que instaurou processo administrativo para apuração da conduta do servidor, que permanecerá afastado durante a investigação do caso. O afastamento foi publicado no Diário Oficial do DF.
A câmera foi descoberta pela própria servidora, e a gestão da unidade de internação imediatamente encaminhou os fatos ao conhecimento das autoridades competentes. “Por fim, reforçamos que a Sejus repudia todas as formas de violência contra as mulheres e empenha todos os esforços para coibir qualquer ato criminoso que venha a ofender a integridade de suas servidoras e socioeducandas”, afirmou a pasta.
Nota do sindicato
O Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa do DF (SINDSSE/DF) afirmou, em nota, que presta todo o apoio necessário às vítimas do fato criminoso ocorrido na unidade de internação, e oferece assistência jurídica e psicológica às servidoras que sofreram a violação de intimidade.
“Repudiamos veementemente o ocorrido e vamos cobrar das autoridades competentes as devidas providências, em todas as esferas. Inclusive a demissão do servidor, que se encontra em estágio probatório. A diretoria executiva designará uma comissão de ética para deliberação da penalidade de exclusão do servidor dos quadros do sindicato”, aponta a nota.
O sindicato ressaltou que o departamento jurídico da entidade está finalizando um documento que será protocolado junto à Secretaria de Justiça para exigir a criação de alojamentos e banheiros femininos exclusivos, nas unidades em que esses ambientes sejam mistos.