Entidades se manifestam contra ‘graves conflitos’ em Nova Olinda do Norte contra indígenas e ribeirinhos

Entidades denunciam violência policial contra indígenas e ribeirinhos no interior do Amazonas.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Manaus-AM | O arcebispo de Manaus Dom Leonardo Steiner e representantes de algumas entidades de defesa da sociedade civil se manifestaram na manhã desta segunda-feira (17), contra suposta violência policial contra indígenas e ribeirinhos nas regiões do Rio Abacaxis e Terra Indígena Kwatá-Laranjal, que compreende parte do território de Nova Olinda do Norte e do município vizinho, Borba, no interior do Amazonas.

Um manifesto assinado por mais de 50 entidades foi entregue a representantes do Ministério Público do Estado Amazonas (MPE-AM) e do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM).

O assunto foi tratado em coletiva de imprensa no Centro Arquidiocesano São José, localizado na Rua Major Gabriel, bairro Centro.

Há denúncias de tortura, execuções, desaparecimentos e invasão em residências e aldeias.

Nota de repúdio relata que, “Nos últimos dias as organizações da sociedade civil atuante no Estado do Amazonas se indignaram com a repetição dessas práticas gravíssimas no Rio Abacaxis e no Rio Marimari município de Nova Olinda do Norte e município de Borba. Uma série de arbitrariedades foram praticadas por grupos das forças policiais do Amazonas.”

A nota menciona ainda os seguintes crimes, a morte de um indígena Munduruku chamado Josemar Moraes de Silva, três ribeirinhos, o desaparecimento de dois adolescentes e um indígena Munduruku, além da morte de dois policiais militares; um suposto traficante e outras seis pessoas que ficaram feridas. Os participantes se solidarizaram com a morte dos policiais, mas também pedem que as supostas violências e torturas sejam responsabilizadas.

Tudo teve início no dia 24 de julho deste ano. O então secretário executivo do Fundo de Promoção Social do Amazonas, Saulo Moysés Rezende Costa, pescava com um grupo de amigos no Rio Abacaxis, próximo a uma comunidade ribeirinha. Após desentendimento com lideranças locais, que exigiam que o grupo deixasse à área por não ter licença para pescar alí, Costa foi atingido por um tiro no ombro.

Segundo a SSP-AM, ao se deslocarem para a região a fim de apurar o ocorrido, investigadores identificaram indícios de tráfico de drogas, formação de milícia armada e possível existência de uma facção criminosa

Na noite do dia 3 deste mês, confronto com criminosos culminou na morte de dois policiais militares identificados como Cabo Márcio Carlos de Souza e o Sargento Manoel Wagner Silva Souza, do COE. Posteriormente, foi deflagrada uma grande operação no Rio abacaxis com o destaque de aproximadamente 50 policiais para reforçar a segurança e capturar os envolvidos no ataque.

A partir desse momento o Ministério Público Federal recebeu várias denúncias por parte dos ribeirinhos, indígenas e comunitários da região que afirmavam que a polícia militar estaria cometendo abusos na operação.

Nesse primeiro contato, segundo apurado pelo Ministério Público Federal, os policiais não estavam uniformizados e abordaram os ribeirinhos e indígenas sem se identificarem com policiais, além de usarem para se deslocarem a mesma embarcação de turismo anteriormente empregada no transporte do grupo de pessoas que queriam fazer a pesca esportiva ilegal do dia 24 de julho.

Invasões nas casas, apreensão de telefones com registros de supostos abusos com uso de arma de fogo para intimidar os moradores, crianças e idosos, e a proibição da circulação no rio, seriam algumas das ações dos policiais.

NOTA DA SSP-AM

A SSP-AM enfatiza que a operação em Nova Olinda do Norte visa desarticular uma organização criminosa que atua na região com a prática de tráfico de drogas, ameaças, homicídios e crimes ambientais. 11 pessoas já foram presas, 13 armas de fogo apreendidas e quatro plantações de maconha localizadas. Hoje, quatro mandados de prisão foram cumpridos referentes ao duplo homicídio dos policiais militares.

A Corregedoria Geral do Sistema de Segurança está acompanhando a Operação e já foram instaurados procedimentos criminais e administrativos para apurar as denúncias. Já foram ouvidos familiares de pessoas desaparecidas e de pessoas que morreram e também serão ouvidas as supostas vítimas de tortura. Sobre essas denúncias, os procedimentos também já foram instaurados.

A Corregedoria informa que vem trabalhando em colaboração com a PF para a elucidação dos fatos.

Sobre as mortes na região, a SSP informa que em todos os casos foram abertos inquéritos policiais e que nenhuma hipótese é descartada, mas há suspeitas de que os crimes sejam praticados por um bando criminoso local, liderado por um cidadão de alcunha Bacurau. Há cerca de dois meses essa quadrilha executou o filho de um cacique Maraguá com 16 facadas.

Carregar Comentários